domingo, setembro 09, 2012

'Superavião' vai medir emissão de gases por queimadas na Amazônia


 

Jato com instrumentos meteorológicos sobrevoará 5 estados em 21 dias.
Ao menos 65 pesquisadores, brasileiros e britânicos, participam do projeto.



Uma aeronave pertencente ao Met Office, o Serviço Nacional de Meteorologia do Reino Unido, equipada com instrumentos de última geração, vai estudar as queimadas na Amazônia brasileira. Durante três semanas, ele vai sobrevoar cinco estados para investigar os impactos que o fogo na floresta têm sobre a mudança climática e a qualidade do ar no Brasil.
Inédita, a expedição científica denominada Sambba (sigla em inglês para "Análise Sul-americana de Queima de Biomassa", em tradução livre), vai reunir 64 cientistas brasileiros e britânicos e o jato Faam BAE-146, já utilizado em outros projetos ambientais.
Coordenado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e pelo Met Office, o estudo conta ainda com o apoio das universidades de São Paulo (USP), de Manchester e de Leeds, ambas britânicas.

Os pesquisadores sobrevoarão entre 14 de setembro e 4 de outubro os estados do Amazonas, Mato Grosso, Pará, Acre e Rondônia, totalizando cerca de 80 horas de voo. O período escolhido é considerado o auge da ocorrência de queimadas na Amazônia Legal -- que engloba nove estados do país.
A aeronave Faam, do Serviço Meteorológico Nacional do Reino Unido, vai sobrevoar a Amazônia durante 20 dias para estudar as emissões de gases provenientes de queimadas. (Foto: Divulgação/Faam.ac.uk)A aeronave Faam, do Serviço Meteorológico Nacional do Reino Unido, vai sobrevoar a Amazônia durante 20 dias para estudar as emissões de gases provenientes de queimadas. (Foto: Divulgação/Faam.ac.uk)
Melhorias na previsão e investigações científicas
Segundo Karla Longo, cientista do Inpe especializada na área de química da atmosfera e coordenadora brasileira do Sambba, o projeto obterá informações que vão melhorar modelos de análise das alterações climáticas no planeta, e ainda aperfeiçoar as previsões meteorológicas e a medição da qualidade do ar.
“Nós avançamos muito nos últimos dez anos, mas ainda há questões importantes. A quantificação das emissões [de gases das queimadas] ainda é deficiente. Com a aeronave, vamos fazer a medida da cicatriz do fogo em tempo real”, disse Karla ao G1.
Região de interesse para os voos do projeto Sambba está contornada de azul. Cinco estados da Amazônia Legal serão analisados. (Foto: Divulgação/Inpe)Região de interesse para os voos do projeto Sambba
está contornada de azul. Cinco estados da Amazônia
Legal serão analisados (Foto: Divulgação/Inpe)
De acordo com Karla, as queimadas são a principal fonte emissora de CO2 no Brasil.

“No período úmido [de chuvas], 90% das emissões do país são provenientes da indústria e dos automóveis. Mas no período seco, entre agosto e setembro, a situação muda e as emissões por queimadas ficam próximo de 90%”, explica.
Além disso, a fumaça atrapalha a visibilidade sobre extensas regiões e pode afetar o regime de chuvas, já que as nuvens sofrem alterações -- o que afeta a produtividade da floresta amazônica e de seus recursos naturais, além de potenciais econômicos.
Ela explica ainda que a partir das medições feitas pela aeronave, que tem capacidade para cem pessoas, será possível criar um modelo que conseguirá saber, no futuro, quanto de CO2 e outros gases foram liberados durante uma queimada na região.
Dados do monitoramento de queimadas e incêndios contabilizados pelo Inpe apontam que de 1º de janeiro a 5 de setembro deste ano, a Amazônia brasileira registrou 141.893 focos de incêndio, contra 50.862 no mesmo período do ano passado – ou seja, quase triplicou.

Políticas públicas
Ainda de acordo com a coordenadora do experimento, a precisão das informações captadas pela aeronave -- e posteriormente analisadas pelos cientistas -- poderá reforçar políticas públicas voltadas ao combate de ações ilegais no bioma brasileiro.

"Hoje, por exemplo, o Ministério Público do Acre utiliza as informações de queimadas na Amazônia como ferramenta jurídica para combater focos na floresta, proibindo a queima. Quanto mais precisa for essa informações, mais eficiente deverá ser as ações preventivas", explica.
Queimadas na Amazônia podem ser menos intensas em 2012, diz Nasa (Foto: Nasa)Imagem de satélite divulgada em outubro de 2011 pela agência espacial americana, a Nasa, mostra focos de queimada na região do Rio Xingu, no Mato Grosso. (Foto: Nasa)
Eduardo CarvalhoDo Globo Natureza, em São Paulo
 

Lontras ajudam indiretamente a reduzir reduzir CO2 na atmosfera, diz estudo

Animais espantam ouriços-do-mar, que consomem algas marinhas.

Um dos papéis das algas é absorver grande quantidade de gás carbônico.



Lontras (Foto: Divulgação/Arthur Morris/University of California Santa Cruz)Lontras-marinhas ajudam a manter algas, que absorvem
CO2 (Foto: Arthur Morris/University of California/Divulgação)
Um novo estudo feito por pesquisadores americanos da Universidade da Califórnia em Santa Cruz sugere que aumentar a população de lontras-marinhas poderia contribuir, indiretamente, para a redução de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera, – um dos principais gases causadores do aquecimento global.
Isto porque, segundo a pesquisa descrita esta semana na revista científica "Frontiers in Ecology and the Environment", esses mamíferos são capazes de espantar ouriços-do-mar, que se alimentam de algas marinhas. Essas algas, por sua vez, são responsáveis por absorver grandes quantidades de CO2 da atmosfera.
Segundo o professor de ecologia e biologia evolutiva Chris Wilmes, um dos autores do trabalho, foram combinados mais de 40 anos de dados sobre lontras e algas encontradas na Ilha de Vancouver, no oeste do Canadá.
O pesquisador diz que as lontras marinhas têm um efeito indireto positivo sobre a biomassa de algas. Ele explica ainda que os ouriços-do-mar se escondem em fendas e evitam se alimentar de restos de algas com a presença das lontras, aumentando o trabalho de absorção de CO2 pelos vegetais aquáticos, por meio do processo de fotossíntese.
De acordo com o estudo, a divulgação sobre o aumento da população de lontras não resolve totalmente o problema das emissões de gás carbônico, mas essa é uma forma de alertar sobre a necessidade de incluir a preservação dos animais em modelos climáticos e métodos de captura de carbono.

Do Globo Natureza, em São Paulo

segunda-feira, agosto 27, 2012

Chapada dos Guimarães


Lugar, no Mato Grosso, mostra porque é um destino tão especial no coração da América do Sul


O Terra da Gente deste sábado (18/08) leva você a uma viagem pela Chapada dos Guimarães, no Mato Grosso. Um lugar onde, para qualquer lado que se olhe, se encontra um capricho da natureza. E os repórteres do programa (Marcelo Ferri e Sávio Domingos) exploram todos os detalhes desse endereço fantástico. Uma região que, quem diria, já foi geleira, mar, deserto e até refúgio de dinossauros. A equipe do Terra da Gente visita uma cidade de pedra, onde o tempo, o vento e a chuva transformaram o arenito em obras de arte. A Chapada é ainda um paraíso das águas, com cavernas, rios e um show de cachoeiras. São mais de 400. Um dos momentos mais interessantes é a visita à Lagoa Azul. O lugar onde a cor da água muda só por meia hora! Tudo por causa do efeito da luz do sol entre as frestas da caverna. As lentes do programa registram também as mais belas aves do Cerrado. E mostram a tradicional dança do siriri. Faz ainda uma visita a um antigo ponto de exploração de pedras preciosas na companhia de um experiente garimpeiro: Seo Salvador, que ainda espera encontrar a pedra dos sonhos. Na Hora do Rancho, uma receita de pintado. No molho, um toque de urucum, corante usado pelos índios que faz sucesso na cozinha.

TG 722 – Chapada dos Guimarães
O coração da América do Sul
Seja pelos paredões de arenito ou pelas rochas que despontam entre a vegetação. Seja pela água que desce o penhasco ou pela vida que pulsa dentro dela. Seja pelos pássaros, as flores, a cultura. Por tudo isso, a Chapada dos Guimarães é surpreendente. Um paraíso no coração da América do Sul, no meio do caminho entre os oceanos Atlântico e Pacífico. Fica a apenas 70 km de Cuiabá, capital de Mato Grosso.
Olhando de perto não há como não admirar o visual. A 800 metros de altitude, a equipe do Terra da Gente vive a experiência de ficar acima de algumas nuvens. E tudo se torna ainda mais fantástico quando se descobre as transformações pelas quais este lugar passou.
Há 500 milhões de anos tudo isso estava coberto de gelo. Depois virou mar, um santuário de vida marinha, que escoou totalmente e deu lugar a um deserto. Mais recentemente, há 64 milhões de anos, havia neste lugar uma densa vegetação que servia de alimento para os dinossauros. O visual que se vê hoje é resultado do afundamento de uma imensa placa tectônica que deu origem à Chapada dos Guimarães.
As trilhas são a melhor forma de conhecer os segredos da Chapada. Os repórteres do TG caminham cerca de 5 km por uma área de preservação dentro de uma fazenda. Quem os acompanha é um grupo de biólogos e uma experiente guia local. Aniluce Brito chama a atenção para a vereda repleta de buritis, uma espécie de palmeira típica do Cerrado. O chão é de pedra e cascalho. O arenito é o responsável por algumas das obras de arte naturais da Chapada dos Guimarães, como uma ponte de pedra que o grupo encontra pelo caminho. "Ela é esculpida pela chuva, pelo vento. Ela vai se desgastando sempre de baixo para cima", explica Aniluce.
Seguindo a trilha em meio ao Cerrado a equipe do programa encontra mais um capricho da natureza. A caverna "aroe jari", que significa "morada das almas" no dialeto da etnia bororo, os índios que habitaram esta região. É a maior caverna de arenito do Brasil, com um quilômetro de galerias, completamente escuras. O salão principal tem 25 metros de altura. Mas por questão de segurança a travessia não é permitida.

Na caverna vizinha, menor, uma beleza incomparável. A água nasce entre as rochas e, em determinado ponto, forma uma piscina natural. A luz refletida no fundo de areia é responsável pela cor que dá nome à caverna: Lagoa Azul. E o mais curioso: este efeito só ocorre durante meia hora no dia. É o horário em que os raios de sol encontram espaço entre os galhos da árvore e as fendas na rocha. Pelas outras galerias o fenômeno se torna ainda mais bonito. Um presente para quem se dispôs a explorar os mistérios da Chapada dos Guimarães. Em alguns minutos o sol vai embora e o poço volta a ser como antes.
Acesso para poucos
Os caminhos da Chapada não são dos mais fáceis. Se não é água, é piso de areia fofa. Ou estrada estreita, que mal dá par passar com a caminhonete. A equipe do TG chega ao Parque Nacional da Chapada dos Guimarães, uma área de 30 mil hectares protegida desde 1988. Apenas um trecho dá para andar de carro, depois só a caminhada leva ao destino.
O grupo entra por uma trilha de vegetação nativa. A subidinha exige fôlego dos participantes da aventura. Não é extensa, mas bem íngreme. O lugar é chamado de Crista do Galo. Mais à frente, a equipe chega à Cidade das Pedras. As formações das rochas lembram prédios em uma cidade. Mas habitantes aqui, só mesmo as aves.
Os repórteres do TG seguem em frente por uma área do Parque, fechada à visitação. A entrada só foi possível através de uma autorização especial e a companhia de dois guias credenciados.
Ao chegar à beira do abismo, entendemos o motivo de tanto cuidado. Um passo em falso pode significar a morte. São 200 metros de queda livre. Não é exagero dizer que estamos diante de uma obra de arte, esculpida pelo vento, pintada pelo tempo.
"A cor vermelha que se vê predominantemente no paredão é devido ao óxido de ferro no arenito e onde ele está mais exposto. Quer dizer que houve desabamentos recentes", esclarece o guia André Luiz Cumpri.
Véu de Noiva
Água e pedra. A leveza de uma contra a dureza da outra. Mas na natureza a insistência sempre vence a rigidez. O rio levou séculos para fazer o vale entre as montanhas e aos poucos também abre caminho pela rocha. Despenca por 84 metros em queda livre. Altura equivalente a de um prédio de 28 andares. Este é o "Véu de Noiva", o cartão postal da Chapada dos Guimarães. Pode ser visto há quilômetros de distância.
Ao mesmo tempo que protege a cachoeira, a rocha não resiste à força da água. Em 2008 uma pedra se soltou e causou a morte de um turista. Desde então a visita ao pé da cachoeira está proibida. O Véu de Noiva fica dentro do Parque Nacional da Chapada dos Guimarães. Mas por aqui não há limites geográficos para os espetáculos da natureza.
No alto da serra há centenas de nascentes que formam córregos de água pura e cristalina. Mas por causa da geografia do terreno, volta e meia eles encontram quedas bruscas e aí formam cachoeiras. São mais de 400. A Cachoeira do Pingador é uma pintura. Harmonia perfeita entre pedra, água e vegetação. Daqueles lugares em que a gente chega e não quer mais sair. As piscinas naturais ficam escondidas no meio da mata. E são os peixes os protagonistas do espetáculo. Os cardumes de lambaris não se intimidam com a presença de estranhos. Pelo contrário, gostam de acompanhar os mergulhadores. A água filtrada constantemente pela areia é transparente. Permite apreciar todo o visual do poço e do rio.
À medida que ganha volume o rio oferece novas possibilidades. A equipe decide fazer uma exploração de caiaque inflável, chamado de duck – pato, em inglês. Andam pela água transparente, rodeada de mata verde. Nas piscinas naturais o caiaque desliza pela água límpida. Calmaria que termina quando o rio estreita. Em algumas partes dá para desembarcar e mergulhar. Mais à frente o Rio Claro encontra o Coxipozinho e passa a se chamar Coxipó do Ouro. Assim como este, estão na Chapada dos Guimarães os principais rios que abastecem o Pantanal. Água que já nasce dando espetáculo.
Santuário de várias espécies
A proximidade com o Pantanal e a Floresta Amazônica ao mesmo tempo faz da Chapada dos Guimarães um santuário de espécies. É só caminhar pela mata ao amanhecer para ter uma ideia disso.
Bem cedo o saí-andorinha se despede da lua. As araras-vermelhas saem do ninho. Elas passaram a noite bem protegidas pela fenda no paredão. Logo já estão sobre as árvores buscando comida.
Mas há espécies que não saem dos penhascos. É preciso ter olhar atento para ver o pequenino jibão-de-couro. Ele vive na vertical. Dá pequenos vôos para buscar comida e volta. Sempre longe dos predadores.
Do lado de baixo não falta comida para as emas. No chão elas encontram o café da manhã. No alto das árvores os araçaris se alimentam de sementes e frutinhas. A mesa é farta e florida para quem acorda cedo.
O udu-de-coroa-azul tem o peito amarelo, o dorso verde e um detalhe curioso no rabo: duas penas mais compridas que lembram uma raquete de tênis. O formato se deve à perda natural das estruturas laterais ao longo da vida. Um realce para chamar a atenção da fêmea, assim como os outros desenhos na plumagem da cabeça.
O maior tesouro está na área de Cerrado, com uma imensa diversidade de pássaros. Acompanhamos o ornitólogo Fabiano Oliveira na busca de uma das mais recentes descobertas deste lugar: o suiriri-da-chapada. O canto gravado em um dos encontros serve para atraí-lo. Em minutos, a resposta. Um casal pousa na árvore bem na frente do grupo de observadores. De asas para o alto eles cantam e repetem várias vezes um tipo de dança. É como se dissessem que são os donos do pedaço. Esse comportamento é exclusivo desta espécie.
Foi por isso mesmo que há pouco mais de 10 anos pesquisadores descobriram que este era um tipo diferente de suiriri, batizado posteriormente como o suiriri-da-chapada. Até então acreditava-se que este era o suiriri-cinzento, uma espécie irmã, que é mesmo muito parecida. Os últimos registros revelam que a espécie recém-descoberta também ocorre em outros penhascos do Planalto Central. Mas vai, para sempre, ser lembrado como autêntico morador da Chapada dos Guimarães.
A dança do Siriri
Uma flor desabrochou no interior da Chapada dos Guimarães. Foi para semear a tradição da música e da dança. O siriri está na raiz do povo matogrossense. Quem cultivou a história colhe frutos a cada estação.
"Flor do Cambambi" é o nome do grupo que brotou aos pés do Morro do Cambambi. Ele ficou conhecido há 60 anos quando pesquisadores encontraram ali o esqueleto de um dos maiores dinossauros do mundo, o abelissauro.
Os ossos fossilizados foram retirados e hoje estão em exposição no Museu Nacional, no Rio de Janeiro. A descoberta científica não conseguiu acabar com as lendas sobre os ossos gigantes nos arredores do Cambambi.
"Para nós era um gigante que morreu em cima da serra. Aí vieram uns estudantes e falaram que era dinossauro, mas para nós é o gigante", conta Deodato Alves de Oliveira, cantor do grupo folclórico.
As histórias do garimpo
Depois do encontro com o grupo de dança, a equipe do Terra da Gente corta a estrada de terra vermelha atrás das histórias escondidas do outro lado do morro, pouco conhecidas pela maioria dos turistas que visitam a Chapada dos Guimarães. Lá há relíquias enterradas. E não são apenas ossos de dinossauros.
A descoberta das jazidas de diamante na década de 20 atraiu os exploradores do sertão. Os garimpos deram origem aos bairros Água Fria e Cachoeira Rica, que ainda guardam marcas do auge e da decadência do garimpo.
No auge da exploração do diamante trabalhavam na região cerca de 3 mil garimpeiros. Eles moravam em um lugar absolutamente isolado e usaram o dinheiro obtido com a pedra preciosa para construir toda infra-estrutura no lugar onde viviam: casas e estabelecimentos comerciais. Não há aqui quem não tenha a história ligada ao garimpo.
Seo Salvador é do tipo que gosta de contar histórias e nos convida para um passeio pelo passado. Ele se arruma, coloca a roupa de garimpeiro para mostrar como era na época em que ele garimpava e o pai dele também.
Seguimos nas trilhas do antigo garimpo para um ponto que já foi explorado. As pedras menos valiosas ficaram esquecidas aos montes pelo caminho. Seo Salvador elege um barranco para cavar. Com enxada e picareta encontra o cascalho. O material bruto vai para a peneira. Os olhos estão sempre atentos. É a água do rio que lava as pedras. E onde mora a esperança do garimpeiro.
Com técnica e experiência ele junta e espalha o material recolhido, remexe o cascalho e torce para que a sorte brilhe na peneira. Mas a expectativa escoa pelo rio, diminui a cada batida. A insistência é de quem já encontrou alguns tesouros.
O último Seo Salvador guarda como amuleto. Mas o diamante que mudou a vida do ex-garimpeiro foi bem maior. "25 quilates e um grão. Vendemos na época por 5 milhões de cruzeiros", conta. Com o dinheiro ele comprou o garimpo e de empregado virou patrão. Mas levou um golpe do destino. Meses depois a extração industrial do diamante foi proibida nesta área. Hoje apenas o garimpo artesanal é permitido. Garantia de preservação do Meio Ambiente e um fio de esperança nos sonhos do Seo Salvador.

Agradecimento:
ICMBio
PARQUE NACIONAL DA CHAPADA DOS GUIMARÃES

Fonte: Via EPT
V

terça-feira, agosto 21, 2012

No Haiti, projeto de reciclagem abre janela de esperança


Na capital do Haiti, Porto Príncipe, a atmosfera das ruas é caótica em todos as formas sensoriais. Os córregos e rios secam no verão e dão espaço a verdadeiras enxurradas de lixo. Se no Brasil as políticas para o tratamento de lixo apenas agora começam a ganhar corpo, no Haiti a falta delas e de qualquer presença do poder público leva a proliferação de doenças como o cólera.
   
Durante minha passagem pelo Haiti conheci uma rara iniciativa que destoa desse ciclo de desesperança : trata-se de uma cooperativa de reciclagem que coleta restos de papel para transforma-los em pequenos briquetes, que servem como combustível fóssil nas residências. A recicladora emprega 420 pessoas e é mantida com recursos de uma ONG escocesa e do Pnud (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento).

Toussaint, um haitiano robusto e de fala mansa é o coordenador da empreitada. "Eles [os haitianos] estão começando a ver que o lixo jogado nas ruas vale dinheiro", diz ele.  Após o término do processo tradicional de reciclagem do papel, um sistema simples de secagem e prensa dá forma a centenas de briquetes, que susbstituem o carvão para cozinhar e aquecer o banho. Pode não ser o ideal, mas poupa a derrubada de árvores. "Hoje, as pessoas usam carvão para cozinhar e isso causou muita destruição ao país", conta Toussaint. Por ano, cerca de 50 milhões de árvores são derrubadas. Segundo números da ONU, resta apenas 2% da floresta original do país.

É uma migalha em um país carente como o Haiti. Mas também é uma centelha que pode levar a multiplicação dessa iniciativa.   



((O)) Eco

sábado, agosto 18, 2012

Pesquisa mostra avanço na consciência ambiental do brasileiro

Samyra Crespo apresenta resultados de pesquisa durante coletiva de imprensa. (Foto: Martim Garcia/MMA)
Há 20 anos, um grupo de pesquisadores liderados pela pesquisadora Samyra Crespo foi a campo pela primeira vez para traçar o percepção dos brasileiros sobre o meio ambiente. Ontem (16), a 5ª edição da pesquisa foi divulgada pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA). A comparação dos resultados ao longo do tempo mostra que a preocupação ambiental está crescendo. Sim, o brasileiro se preocupa com o meio ambiente.
Na primeira edição da pesquisa, em 1992, o tema meio ambiente não figurava entre os 10 principais problemas do país. Esse ano entrou, pela primeira vez, na lista dos 10 maiores problemas na opinião dos brasileiros. Está em sexto lugar, atrás de, nesta ordem, saúde, violência, desemprego, educação e qualidade dos políticos. O número de pessoas que apontaram que o meio ambiente é o principal problema do Brasil dobrou de 6% (em 2006) para 13%.

Descentralização
Entre 1992 e 2012, aumentou o número dos que acham que a responsabilidade pelo meio ambiente é de governos municipais. Aqueles que acreditavam que este era um problema  Ao longo dos últimos 20 anos, aumentou a parcela de quem considera o meio ambiente um problema regional ou local. O percentual de daqueles que colocam a maior responsabilidade sobre os governos estaduais (em vez do governo federal) quase dobrou, subindo de 33% para 61%. Aqueles que concentram a responsabilidade nas prefeituras subiram de 30% para 54%.

Desenvolvimento: não a qualquer custo
Foi sistemático o crescimento dos que se opõem ao progresso econômico à custa da exploração insustentável dos recursos naturais. Nessa pesquisa, ele chegou a impressionantes 82% da população. Nas edições anteriores este quesito mantém os mesmos percentuais impressionantes: 67% em 1997, 72% em 2001 e 75% em 2006.

Perguntados sobre a melhor razão para sentir orgulho de ser brasileiro, 28% apontaram a natureza como causa desse sentimento.

O desmatamento continua a ser a maior preocupação. Em 92, na primeira pesquisa, 47% o consideravam o pior problema. Nos números divulgados ontem, o percentual subiu para 67%. Em seguida, veio a poluição de rios e lagos e outras fontes de água, com 38,5%.

Sacolinhas e lixo
Dos pesquisados, 85% estão dispostos a aderir à campanha de redução do uso de sacolas plásticas. Onde há campanha, 76% aderiram.

A preocupação com o lixo galgou posições no ranking dos desafios ambientais. Coleta, seleção e destino preocupavam 4% das pessoas entrevistadas em 1992. Hoje, o número saltou para 28%.

Nas regiões Sul e Sudeste, 48% afirmaram que fazem a separação dos resíduos nas residências. “Muitas vezes a disposição da população não encontra acolhimento de politicas públicas. Muitas vezes o cidadão separa em casa e a coleta do lixo vai e mistura os resíduos”, afirmou Samyra Crespo, durante a coletiva de imprensa desta quinta-feira. Ela é secretária de Articulação Institucional e Cidadania Ambiental do MMA e coordenadora do estudo desde a sua primeira edição.

O levantamento foi feito pelo CP2 pesquisas entre os dias 15 e 30 de abril. Foram entrevistadas 2.201 pessoas com idades a partir de 16 anos, residentes em áreas urbanas e rurais em todas as regiões do país.

O relatório da pesquisa, com 74 páginas, pode ser lido na íntegra aqui.




Fonte: ((o))eco

terça-feira, agosto 14, 2012

MMA anuncia bons números sobre o desmatamento na Amazônia

Depois de 3 meses retendo os dados de desmatamento do sistema Deter, hoje de manhã (2/08), o Ministério do Meio Ambiente deu boas notícias. Em coletiva, a ministra Izabella Teixeira informou que o desmatamento caiu 23% no período de agosto de 2011 a julho de 2012, comparado com os 12 meses anteriores.

A seguir, está a tabela divulgada pelo INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais). Os números marcados em laranja chamam atenção. Entre abril e junho, o Mato Grosso foi o estado que liderou o desmatamento. Em abril, sozinho derrubou 178,5 km2, ou 76,7% do total do mês. Em julho, perdeu a liderança para o Pará, que nesse mês desmatou 93,5 km2 ou 43,5% do total.

Abril Maio Junho Julho Total por estado
Abr-Jul
Acre - 1,3 - 1,0 2,3
Amapá - - - - 0,0
Amazonas 2,1 12,8 5,7 18,5 39,1
Maranhão - 1,8 2,5 6,7 10,9
Mato Grosso 178,3 34,3 47,7 51,1 311,4
Pará 33,5 23,7 37,7 93,0 187,9
Rondônia 18,2 22,7 13,2 37,5 91,7
Roraima - - - - 0,0
Tocantins 0,5 2,3 0,7 6,0 9,4
Total da Tabela 232,6 99,0 107,5 213,7 652,7


Nesses 4 meses, o bioma amazônico perdeu 652 km2, equivalentes a 40% do município de São Paulo. Desse total, o Matogrosso respondeu por 311,4 km2 ou cerca de metade (48%), seguido do Pará, com 188 km2 ou 29% do total desmatado. Abaixo, a tabela com os percentuais de cada estado no mês e na área total derrubada.

É importante notar que o Deter é um sistema de alerta, cujas medições podem ser distorcidas pela cobertura de nuvens da época em que o satélite faz as imagens que alimentam a análise. Números referentes a períodos pequenos são pouco representativos. O número mais importante é a variação acumulada no ano. A queda de 23% neste período é alvissareira.

Abril Maio Junho Julho % total
Acre 1,3% 0,5% 0,4%
Amapá
Amazonas 0,9% 12,9% 5,3% 8,6% 6,0%
Maranhão 1,8% 2,3% 3,1% 1,7%
Mato Grosso 76,7% 34,7% 44,4% 23,9% 47,7%
Pará 14,4% 23,9% 35,1% 43,5% 28,8%
Rondônia 7,8% 22,9% 12,3% 17,6% 14,0%
Roraima
Tocantins 0,2% 2,4% 0,6% 2,8% 1,4%
100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%
 
Fonte: ((O))eco

As maravilhas naturais do Brasil vistas do espaço

Nossa seleção de maravilhas naturais vistas do espaço fez tanto sucesso que resolvemos repetir a dose. Só que desta vez selecionamos só lugares aqui no Brasil. Aprecie abaixo as belezas que nosso país oferece, em imagens retiradas do Google Earth, e conheça um pouquinho mais sobre elas lendo alguns textos publicados por ((o))eco.



Cataratas do Iguaçu

Esparramadas por 2.700 metros na fronteira entre Brasil e Argentina, as Cataratas foram eleitas uma das novas sete maravilhas da natureza por voto popular. As cachoeiras compõe um complexo de quase 300 quedas d’água, com um desnível médio de cerca de 60 metros, embora a Garganta do Diabo, a mais famosa e que marca a fronteira entre os dois países, tenha 82 metros de altura. Não é a toa que o nome das quedas, Iguaçu, designe água grande na sua origem em língua tupi.

Cataratas do Iguaçu, imagens da maravilha da natureza


Fernando de Noronha

Localizado a 540 km de Recife (PE), encanta cerca de 60 mil turistas por ano com seus 17 km² de preciosa beleza cênica. Todo este capricho da natureza conquistou o reconhecimento internacional quando, em 2001, ganhou da Unesco o título de “Sítio do Patrimônio Mundial Natural”.

Fernando de Noronha, o paraíso ameaçado


Lençóis Maranhenses

Não existe no Brasil área como os Lençóis Maranhenses. O litoral leste do estado, a cerca de 200 quilômetros de São Luís, tem as maiores dunas de toda costa brasileira, numa área de transição entre a floresta amazônica, o Cerrado e a Caatinga. A biodiversidade única naquele local, e, sobretudo, a sua beleza cênica justificaram em 1981 a criação de um parque nacional que, raridade entre os demais, tem até plano de manejo e ainda pouquíssimos impactos.

Por baixo dos lençóis


Pantanal

O Pantanal é uma imensa planície aluvial. Sua paisagem inclui uma variedade de sub-regiões ecológicas, incluindo corredores de rios, matas ciliares, pântanos e lagos perenes, pastagens e florestas sazonalmente inundadas terrestres. A fauna do Pantanal é extremamente variada e inclui 80 espécies de mamíferos, 650 aves, 50 répteis e 400 peixes. Densas populações de espécies de interesse de conservação, como onças, veados pantaneiros, tamanduás-bandeira e ariranhas vivem na região.

Uma aula de Pantanal com onça e tudo


Restinga de Marambaia

Numa cidade como o Rio de Janeiro, que cresceu em detrimento de restingas como a de Botafogo, Copacabana, Ipanema, Leblon e Barra da Tijuca, a Restinga da Marambaia resguarda informações relevantes sobre a biota dessa parte do litoral brasileiro. Esse patrimônio vem sendo preservado graças as Forças Armadas que coíbem a caça, a pesca predatória, a retirada de madeira, areia e a especulação imobiliária, tornando a Marambaia um paraíso da flora e fauna do Estado do Rio de Janeiro.

O último refúgio da Mata Atlântica


Ilha Grande

Localizada entre as duas maiores metrópoles do Brasil (São Paulo e Rio de Janeiro) e cercada pela imponente Serra do Mar, a baía da Ilha Grande abriga 187 ilhas e ilhotas, criando um cenário de grande beleza paisagística no litoral sul fluminense. Diversas unidades de conservação protegem parte deste patrimônio natural, na tentativa de manter a biodiversidade tanto terrestre como marinha da baía.

Imerso na baía Ilha Grande


Encontro das águas

As águas escuras do Rio Negro se encontram com as águas barrentas do Rio Solimões, correndo por mais de 6 km sem se misturar. Já fez parte de nossa seleção anterior, mas sempre vale a pena apreciar este fenômeno da natureza, agora um pouquinho mais de perto.

Imagens da Nasa sobre o rio Negro


Paulo André Vieira
((O)) eco