segunda-feira, julho 30, 2012

Seca nos EUA entre 2000 e 2004 foi a pior em 800 anos, afirma estudo


Cientistas dizem que estiagens graves ocorrerão mais vezes neste século.

Investigação foi publicada nesta fim de semana na revista 'Nature'.


A seca extrema que atingiu o Oeste da América do Norte entre 2000 e 2004 foi considerada por pesquisadores como a pior dos últimos 800 anos, deixando à beira da morte florestas e empobrecendo bacias hidrográficas.
Os últimos eventos graves registrados teriam ocorrido entre 977 e 981, além de 1146 e 1151, ambos períodos da Idade Média (os EUA só foram oficialmente descobertos em 1492).
Entretanto, os cientistas alertam que este padrão deve ser o “novo normal” para o século 21. O estudo foi publicado neste domingo (29) na revista “Nature Geoscience”.
Segundo a investigação, feita por um grupo de dez especialistas, eventos extremos do clima têm aumentado como resultado da elevação da temperatura global.
A seca em questão pode ser até considerada como "bons tempos", já que modelos climáticos e projeções de chuvas indicam que o que aconteceu nesse período é o mais próximo do clima que predominará o país a partir da segunda metade do século 21.

Vaca caminha em pasto seco em Jasper, no estado de Indiana, sob uma temperatura de 38ºC. Seca extrema deve ser constante nos próximos anos, dizem cientistas. (Foto:  John Sommers II/Reuters)Vaca caminha entre pasto seco em Jasper, no estado de Indiana, sob uma temperatura de 38ºC. Seca extrema deve ser constante nos próximos anos, dizem cientistas. (Foto: John Sommers II/Reuters)

Além de seu impacto sobre plantações e nascentes, a seca do início da década passada reduziu em 51% o sequestro de carbono em uma área enorme que engloba parte dos Estados Unidos, Canadá e México. Com a vegetação seca, há maior liberação de dióxido de carbono (CO2) para a atmosfera, o que implicaria na acentuação da mudança climática.
A pesquisa, liderada pela Universidade do Estado de Oregon, com apoio da agência espacial americana, a Nasa, não deixou claro se o atual período de estiagem, que afeta o Centro-Oeste, do país tem relação com os eventos ocorridos entre 2000 e 2004.

 Do Globo Natureza, em São Paulo

Plantas purificam lago artificial usado por moradores em cidade da França


Piscina 'verde' de Cublize é a maior da Europa com técnica renovável.
Planta da família das canas é responsável por processo biológico de limpeza.


Moradores de Cublize, na França aproveitam o calor do verão europeu para nadar em um lago artificial construído na cidade com uma técnica renovável para limpeza da água. (Foto: Philippe Desmazes/AFP)Moradores de Cublize, na França aproveitam o calor do verão europeu para nadar em um lago artificial construído na cidade com uma técnica renovável para limpeza da água. (Foto: Philippe Desmazes/AFP)
 
Próximo à piscina de água verde, foram plantadas 38 mil plantas que pertencem à família das canas, e ficam ativas no processo de limpeza. (Foto: Philippe Desmazes/AFP)Próximo à piscina de água verde, foram colocadas 38 mil plantas que pertencem à família das canas. Elas têm processo biológico ativado para limpar água de impurezas. (Foto: Philippe Desmazes/AFP)
 
O lago “verde” é o maior da Europa com um processo biológico de tratamento de resíduos, que substituem os produtos químicos. (Foto: Philippe Desmazes/AFP) 
O lago “verde” é o maior da Europa com um processo biológico de tratamento de resíduos, que substituem os produtos químicos. (Foto: Philippe Desmazes/AFP)
 
Do Globo Natureza, em São Paulo

 

Cingapura é um país-ilha, ou uma cidade-Estado, que atingiu fantástico sucesso econômico e social apesar de ocupar uma área de apenas 710 km2, cerca de 60% daquela ocupada pelo município do Rio de Janeiro. Tem a 3ª maior renda per capita do mundo e o 26º lugar no índice de desenvolvimento humano, logo atrás de Luxemburgo. Mas não importa quão bem essa ilha de 5 milhões de habitantes for gerida, sempre terá um calcanhar de Aquiles: lá falta água.
Cingapura está situada 1 grau ao norte do equador e tem clima tropical, portanto, abundante em chuvas, que amontam a 2.340 mm por ano. Porém, seu subsolo não armazena água suficiente para as necessidades da população, o que a torna ao mesmo tempo vulnerável a enchentes e a escassez de água potável.

A solução histórica foi importar água da Malásia, através de tubulações que formam aquedutos, ligando a ilha ao seu vizinho continental pelo Estreito de Johor. O acordo entre os dois governos garantia a Cingapura água barata, até que a Malásia começou a falar em aumentar o preço do abastecimento em até quinze vezes.

Como essa dependência sempre incomodou, os planejadores de Cingapura estão engajados há décadas em planos para reduzir a quantidade de água importada. Eles envolvem usinas de dessalinização, reutilização de água de esgoto e grandes reservatórios construídos para capturar a água da chuva. A Marina Barrage foi o 15º reservatório a ser inaugurado e o mais integrado à vida da população.

A Marina Barrage fica no centro da cidade-Estado e tem um espelho d’água com área de 10 mil hectares, o equivalente a um sexto do território de Cingapura. Aliás, a soma de todos os reservatórios do país equivale a dois terços de sua área total. A barragem de 350 metros que a delimita foi inaugurada em 2008. Desde então, a água salgada foi paulatinamente expulsa por água de chuva, até que em 2010 o reservatório foi declarado de água doce, capaz de suprir 10% da necessidade de água local.

Os Cingapurianos não pensaram pequeno, a Marina Barrage tem outras utilidades. Uma delas é ajudar a resolver o problema das enchentes. Quando cai uma chuva torrencial, a barragem deixa passar o excesso de água para o mar. Se a maré estiver cheia, ela conta com poderosas bombas que são capazes de também devolver ao mar a chuva que sobra e mantêm uniforme o nível do reservatório. Boa parte da eletricidade que as instalações consomem é gerada por uma usina de energia solar que fica ao lado.

Por fim, tornou-se também uma das áreas de lazer favoritas da população, que gosta de passear pela ponte que cobre a barragem e apreciar o lago, onde se prática vela, caiaque e outros esportes náuticos. O belo prédio central, onde ficam abrigadas as bombas d'água, é uma atração em si próprio. Ele tem um telhado verde – recoberto por grama – e oferece restaurantes e áreas de lazer.

Em 2061, expiram os acordos de suprimento de água potável com a Malásia.. Até lá, Cingapura quer ser autossuficiente. Espera que seu suprimento de água venha 40% da reutilização, 30% de dessalinização e 20% dos enormes reservatórios de água de chuva. Se conseguir, demonstrará mais uma vez, com essas formas de reciclagem, que um país pequeno e pobre em recursos naturais pode prover um dos melhores padrões de vida do mundo.
 
Eduardo Pegurier
((O)) Eco




sexta-feira, julho 27, 2012

MATANÇA DE BOTOS NA AMAZÔNIA


 
((O)) Eco 
Vandré Fonseca
 
Manaus, AM – Para driblar a rejeição do consumidor, a piracatinga (Callophysus macropterus) – peixe capturado usando botos mortos como isca – ganhou novos nomes no mercado da capital amazonense. A piracatinga é um peixe pouco nobre, também conhecido como urubu d'água por comer animais mortos. Agora, ela pode ser encontrada com os nomes de “douradinha” ou “piratinga” em feiras e supermercados da cidade, segundo informações da Associação Amigos do Peixe-boi-da-amazônia (Ampa).
Segundo a associação, o aumento da captura da piracatinga está associada aos casos cada vez mais comuns de matança de botos na região. A gordura do boto é um excelente atrativo para este peixe.

O monitoramento dos botos na região da Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) de Mamirauá, realizado há 17 anos pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), indica que o número de botos cor-de-rosa, conhecidos também como botos-vermelhos (Inia geoffrensis) está diminuindo 10% por ano em diversas regiões da Amazônia.

Para denunciar a matança, a Ampa divulgou na internet o vídeo acima, mostrando botos capturados por pescadores. No vídeo, aparecem pescadores abatendo botos-rosas no Rio Purus e também a abordagem de um grupo de pescadores que capturava bichos nas proximidades de Manaus. Os botos são capturados com arpões e abatidos com golpes na cabeça. A carcaça é colocada em gaiolas de madeira, para atrair os bagres.

Embora não seja muito apreciado no Brasil, a piracatinga tem boa aceitação na Colômbia, para onde é enviado para venda, sem fiscalização, através do porto de Tabatinga, que fica a 1.108 km de Manaus. O peixe chega à Bogotá, capital do país, onde é transformado em filés, antes de ser vendido no mercado doméstico ou exportado para o Japão.

Boto cor-de-rosa, usado como isca, seus números caem 10% ao ano. Foto: Anselmo d'Affonseca/ Ampa

Boto cor-de-rosa. Foto: Anselmo d'Affonseca/Ampa




AQUECIMENTO GLOBAL



Um dos choques do degelo de julho foi ter atingido altitudes elevadas. Foto: Divulgação/greenland.com

Entre os dias 08 e 12 de julho, a Groenlândia experimentou o mais agudo degelo já detectado nos 33 anos em que existem registros de satélite. Da sua superfície total, 97% mostrou sinais de degelo, incluindo áreas de 2 mil metros de altitude. O fenômeno foi notícia na mídia mundial e assusta por sugerir que as mudanças climáticas podem estar se acelerando.
Para explicar os detalhes desse recorde e sua relação com o aquecimento global, ((o))eco ouviu Thomas Mote, membro da equipe da NASA que está avaliando o derretimento de gelo histórico.

Mote é professor e chefe do departamento de Geografia da Universidade de Geórgia, nos EUA. Há 20 anos está envolvido com pesquisa da criosfera, através de sensoriamento remoto. Atualmente trabalha para a NASA, onde documenta a extensão do derretimento da superfície de gelo da Groelândia com registro de imagens de satélites. Também estuda as medições de diferentes satélites sobre o degelo de superfície.

Foto: Divulgação
((o))eco - A quantidade de gelo derretida foi histórica ou o que causou espanto foi a rapidez do derretimento?

Thomas Mote – Normalmente, nós vemos a área de degelo aumentar ou contrair rapidamente, de acordo com os deslocamentos das massas de ar, frias ou quentes, sobre o manto de gelo. O que aconteceu dessa vez foi que a extensão do derretimento foi notável, principalmente nas altitudes elevadas. Esta é a primeira vez, em 33 anos de dados de satélites, que nós testemunhamos um derretimento por quase todo o gelo da Groelândia.

((o))eco - Quais seriam os principais motivos para um derretimento tão rápido, observado em 4 dias, e numa quantidade tão grande?
"Esta é a primeira vez, em 33 anos de dados de satélites, que nós testemunhamos um derretimento por quase todo o gelo da Groelândia"

TM – A Groelândia esteve excepcionalmente quente desde maio deste ano e observamos uma mudança significativa nos padrões climáticos, associada à Oscilação do Atlântico Norte (NAO, do inglês North Atlantic Oscillation). Quando esta oscilação está em sua fase negativa, a Groelândia é dominada por ar quente e alta pressão.
Nós detectamos uma Oscilação do Atlântico Norte bastante negativa desde maio até a semana passada. Essas condições de temperaturas mais elevadas permitiram a expansão do derretimento desde as áreas mais baixas até as altitudes elevadas, fundindo a neve nesses locais.

No meio de julho, principalmente, observamos uma massa de ar bastante quente deslocando-se sobre o manto de gelo, a qual causou esse evento de degelo sobre quase toda a Groelândia. Nesta semana, essa massa de ar foi para o leste. Agora o derretimento da Groelândia está perto do normal e o calor passou a invadir as ilhas britânicas, bem na época das Olimpíadas. Entretanto, os padrões climáticos podem voltar a se alterar na semana que vem.

((o))eco - O derretimento está relacionado às mudanças do clima ou pode ser considerado um episódio isolado?

TM – A resposta simples seria “ambos os casos”. Observamos um episódio isolado, causado por um padrão climático incomum, que foi somado às mudanças climáticas que estão acontecendo. O resultado foi o degelo fora do comum. O curto período, 4 dias de derretimento, sobre todo o manto de gelo foi causado pelo evento de tempo extremo causado pela Oscilação do Atlântico Norte negativa.

Entretanto, o clima cada vez mais quente na Groelândia, e sobre todo o Ártico, nas últimas 3 décadas, resulta em períodos mais longos de derretimento e degelo completo nas regiões mais baixas. Durante esse período de 30 anos, o derretimento vem atingindo regiões cada vez mais elevadas. O resultado é um enorme runoff (escoamento) de água derretida próxima às margens do manto de gelo, neste verão do hemisfério norte.

((o))eco - Qual foi a temperatura média desses 4 dias na Groelândia? São temperaturas do ar anormais para o verão da região?

TM – Nas altitudes mais elevadas da Groelândia, no topo do manto de gelo -- a cerca de 3.200 metros -- as temperaturas atingiram 0° Celsius, o que é altíssimo para uma região normalmente bem mais gelada. Em regiões sem gelo, neste verão, próximo à costa, os recordes de temperaturas chegaram a exceder os 25° Celsius. No dia 10 de julho, pouco antes do ápice do derretimento, por exemplo, a temperatura estava marcando 23,9°Celsius, próximo ao manto de gelo da região da Kangerlussuaq, onde o normal é chegar a 7°Celsius. 

((O)) Eco 
Flávia Moraes
 

segunda-feira, julho 23, 2012

Estudo do Inpa revela causas da morte de árvores na Amazônia


Pesquisa durou um ano e analisou causas das mortes de 67 árvores.

Fatores biológicos, estresse e tempestade são os principais fatores.


Bacia amazônica, área de atuação do projeto (Foto: Divulgação/UEA)Estudo do Inpa analisou morte de árvores da Floresta Amazônia (Foto: Divulgação/UEA)
Tempestade, fatores biológicos e estresse. Esses foram os principais fatores da morte de árvores durante um estudo de mestrado realizado no Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) pela estudante Clarissa Gouveia pelo período de um ano.
Orientado pelo pesquisador do órgão, Niro Higuchi, o estudo foi feito em dois espaços com uma área de 20 x 2500 m cada, totalizando 5.808 árvores, sendo catalogadas 67 mortes.
Segundo o estudo, período chuvoso é o nível de mortalidade das árvores costuma ficar maior, principalmente, devido à quantidade de tempestades e raios típicos da época. “Na região atingida pelo raio, geralmente encontra-se mais de um individuo morto, representados por mais de uma espécie, além de provocar a morte parcial ou total da regeneração natural do lugar”, esclarece a mestranda.
Árvore na área de preservação da Ufam Manaus (Foto: Adneison Severiano G1/AM)Árvores morrem mais na Amazônia durante o período de chuvas na região (Foto: Adneison Severiano G1/AM)
A maioria das árvores na Floresta Amazônica possuem copas assimétricas e as tempestades são capazes de aumentar o peso da copa, provocando a queda das árvores para o seu lado mais pesado. Existem, ainda, registros de tempestades de vento que podem matar milhares de árvores em apenas poucos dias, são os chamados downburst ou roça de ventos.
Já as mortes classificadas como fatores biológicos e de estresses são relacionadas a competição e supressão entre espécies, déficit hídrico, alagamentos, e ataques patógenos. “No momento que a árvore morre, ela continua a influenciar os organismos ao seu redor, auxiliando no equilíbrio e desenvolvimento de outros organismos. E, também, cooperando na mudança de biomassa, no fornecimento de luz, nutrientes e na umidade da floresta”, explica Clarissa.
Amazônia rio com plantas (Foto: Ana Castro - produtora de reportagem (TV Globo))Tempestades com raios e fortes ventos são um dos principais fatores para a morte de árvores na Amazônia (Foto: Ana Castro - produtora de reportagem (TV Globo))
saiba mais
 
A mortalidade arbórea é um processo natural no ecossistema florestal, pois influencia na estrutura, dinâmica, estoque de carbono e reciclagem de nutrientes. Mas, quando a mortalidade é maior que a capacidade de resistência da floresta, as consequências em longo prazo podem ser preocupantes. “São observadas mudanças nas taxas de evapotranspiração, temperatura, umidade e na estrutura das espécies”, ressalta Fontes.
O pioneirismo da pesquisa foi uma contribuição essencial para a comunidade científica, auxiliando na criação de novas perspectivas. “O desejo é que o estudo seja conduzido por mais tempo e em novas áreas para que possamos verificar um possível padrão de comportamento”, almeja Fontes, ressaltando a concepção de um banco de dados maior para a determinação mais exata das variações no clima e a sua relação com a mortalidade arbórea durante determinado período.
Ministério do Meio Ambiente vai reforçar fiscalização na área de fronteira agrícola entre os estados do Amazonas e Rondônia (Foto: Divulgação/Ibama)Infestação de insetos e fungos são outras causas de morte das árvores na Amazônia (Foto: Divulgação/Ibama)
Além das mudanças do tempo, pode-se destacar como influenciadores da mortalidade das árvores as infestações das mesmas por lianas, insetos e fungos. Durante o período da pesquisa, uma espécie foi morta pela hemi-epífita estranguladora Apuí e três outras por fungos patogênicos: duas por Ganoderma sp e uma por Auricularia delicata Fries.
“Esse tipo de estudo pode melhorar o entendimento das vulnerabilidades de nossas árvores diante de eventos catastróficos que vem ocorrendo na Amazônia, principalmente aquelas relacionadas com secas e tempestades”, concluiu a estudante.
Amazônia (Foto: Ana Castro - produtora de reportagem (TV Globo))Mortalidade arbórea é um processo natural do ecossistema da Floresta (Foto: Ana Castro - produtora de reportagem (TV Globo))
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Fonte: Do G1 AM

 

JAPÃO

Após uma semana de discussões em plenária, a Comissão Internacional Baleeira (CIB) encerrou na sexta-feira (6 de julho) mais uma reunião anual, a 64a. da história da instituição, criada em 1946 para regulamentar a caça da baleia  no mundo todo. Ainda não foi desta vez que o Brasil e os países latino-americanos conseguiram transformar o Atlântico Sul em um Santuário, mas pelo menos evitaram que o Japão conseguisse uma exceção à moratória. O protagonismo do Brasil no encontro foi prejudicado pela falta de técnicos na delegação brasileira e também ofuscado por uma acusação de matança de botos na Amazônia.

Os japoneses queriam liberar uma cota de caça a baleias-minke, que voltaria a poder ser caçadas comercialmente ao longo da costa do país. Antes de ser votada, a proposta foi retirada de discussão pelo país. A caça comercial de baleias é proibida pela CIB desde 1985, quando foi instituída uma moratória. Inicialmente prevista para durar cinco anos, a proibição foi renovada por mais cinco e depois mantida por tempo indeterminado.

Mas a caça é permitida em situações especiais, como para pesquisas científicas ou quando faz parte da tradição de populações aborígenes, como os esquimós. O Japão continua a abater centenas de baleias por ano, alegando que são usadas em pesquisas. Para isso não precisa de autorização da CIB. O país necessita apenas apresentar um plano de trabalho seis meses antes da reunião. Já a caça aborígene precisa ser aprovada pela comissão, que decide também quantos animais e de quais espécies podem ser abatidos. No entanto, a caça aborígene é uma está na ordem de grandeza de dezenas de baleias, uma fração do que o Japão ainda caça.

A Dinamarca, por exemplo, pretendia uma cota de baleias para a Groenlândia. Mas a proposta não obteva os ¾ (75%) de apoio para aprovação e foi rejeitada (25 votos a favor, 34 contra e 3 abstenções), graças ao votos de países como o Brasil, que faz parte do grupo de Buenos Aires, formado por países latino-americanos e que têm uma atuação contrária à caça.
Apesar da posição conservacionista, o Brasil também teve de dar satisfação sobre a morte de cetáceos, que ocorre dentro das fronteiras do país. Durante as acirradas discussões na Plenária, o país foi questionado sobre a matança de botos, usados como isca na pesca da piracatinga, na Amazônia. “O boto apareceu como o telhado de vidro do Brasil, na questão do santuário”, avalia o diretor de Pesquisa do Instituto Baleia Jubarte, o veterinário Milton Marcondes.

Marcondes participou das discussões do comitê científico da CIB, onde o assunto havia sido abordado, antes de aparecer na Plenária. O comitê, que tinha até elogiado as informações apresentadas pelo Brasil, havia sugerido a realização de um workshop internacional para discutir o problema e apresentar prioridades para combater a morte dos botos.
Infelizmente, a posição brasileira ficou ainda mais fragilizada pela ausência de um chefe de delegação, que obrigatoriamente deveria ser representante do governo, durante a reunião do comitê científico.

Japão, o maior caçador

O Japão, atualmente, é o principal defensor da caça de baleias, praticada sob o rótulo de “científica”. A caça dita científica é permitida pela comunidade internacional, mas para organizações não-governamentais e ambientalistas, trata-se apenas de uma fachada para o país continuar a caçar os animais.

Para Milton Marcondes, o Japão não é movido por interesses econômicos, já que a matança dos grandes cetáceos não é uma atividade importante na geração de riquezas do país. Mesmo assim, Japão, Rússia e Noruega, também países caçadores, conseguiram construir uma coalização de países que votam na CIB a favor da matança. Nesse estranho grupo está até mesmo a Mongólia, que vota na Comissão apesar de ser um país que sequer tem acesso ao mar.

Marcondes aponta duas razões para os japoneses continuarem a caça: a relação entre políticos e empresários que recebem subsídios governamentais para a atividade; e o temor de que a proibição seja estendida a outras espécies, como o atum. “Para o Japão, a proibição da caça às baleias poderia ser o precedente perigoso”, avalia. “O país considera que vale a pena gastar dinheiro para manter a influência nas discussões internacionais sobre os recursos do mar”, completa.
 
 ((O)) Eco
Vandré Fonseca